segunda-feira, 30 de julho de 2012

Gerânios.



Uma noite de lua pálida e gerânios
 ele viria com boca e mão incríveis
 tocar flauta no jardim.
 Estou no começo do meu desespero
 e só vejo dois caminhos:
 ou viro doida ou santa.

 Eu que rejeito e exprobo
 o que não for natural
 como sangue e veias
 descubro
 que estou chorando todo dia,
 os cabelos entristecidos,
 a pele assaltada de indecisão.

 Quando ele vier,
 porque é certo que ele vem,
 de que modo vou chegar
 ao balcão sem juventude?

 A lua, os gerânios e ele serão os mesmos
- só a mulher
 entre as coisas envelhece.

 De que modo vou abrir a janela,
 se não for doida?
 Como a fecharei, 
se não for santa?

 Adélia Prado

 Hoje, Ame Intensamente e Seja Muito Feliz. 

Felicidades...

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