sábado, 30 de junho de 2012

Fogueira.




Eu amava o amor 
e esperava-o sob árvores,
 virgem entre lírios.
 Não prevariquei.

 Hoje percebo
 em que fogueira
 equívoca padeci meus tormentos.
 A mesma 
em que padeceram 
 as mulheres duras que me precederam. 

 E não eram demônios
 o que me punha um halo
 e provocava o furor de minha mãe.

 Minha mãe morta
 minha pobre mãe,
 tal qual mortalha 
seu vestido de noiva
 e nem era preciso ser tão pálida
 e nem salvava ser tão comedida.

 Foi tudo um erro,
 cinza o que se apregoou
 como um tesouro.
 O que tinha na caixa era nada.
 A alma, sim,
 era turva e ninguém a via.

 Adélia Prado 

Hoje, Ame Intensamente e Seja Muito Feliz. 

Felicidades...

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