segunda-feira, 16 de maio de 2016

A cada dia...


A arte da perda é fácil de estudar: 
a perda, a tantas coisas,
 é latente que perdê-las nem chega a ser azar.
 Perde algo a cada dia.
 Deixa estar: percam-se a chave, o tempo inutilmente.
 A arte da perda é fácil de abarcar.
 Perde-se mais e melhor.
 Nome ou lugar, destino que talvez
 tinhas em mente para a viagem. 
Nem isto é mesmo azar.
 Perdi o relógio de mamãe. 
E um lar dos três que tive, o (quase) mais recente. 
A arte da perda é fácil de apurar.
 Duas cidades lindas. 
Mais: um par de rios, 
uns reinos meus, um continente.
 Perdi-os, mas não foi um grande azar. 
 Mesmo perder-te 
(a voz jocosa, um ar que eu amo),
 isso tampouco me desmente. 
A arte da perda é fácil, apesar de parecer
 (Anota!) um grande azar. 

 Elizabeth Bishop

 Hoje, ame intensamente e Seja muito feliz.
 Felicidades...

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