quinta-feira, 31 de março de 2016

Minha vontade...


Quando nasci um anjo esbelto, 
desses que tocam trombeta, anunciou:
 vai carregar bandeira.
 Cargo muito pesado pra mulher,
 esta espécie ainda envergonhada.
 Aceito os subterfúgios que me cabem, sem precisar mentir. Não sou tão feia que não possa casar, 
acho o Rio de Janeiro uma beleza
 e ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
 Mas o que sinto escrevo. 
Cumpro a sina. 
Inauguro linhagens, fundo reinos
 — dor não é amargura.
 Minha tristeza não tem pedigree, 
já a minha vontade de alegria,
 sua raiz vai ao meu mil avô.
 Vai ser coxo na vida é maldição pra homem. 
Mulher é desdobrável.
 Eu sou.

 Adélia Prado 

 Hoje, ame intensamente e Seja muito feliz. 
Felicidades...

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