terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Dentro da alma...


Só é meu
 O país que trago dentro da alma.
 Entro nele sem passaporte
 Como em minha casa.
 Ele vê a minha tristeza
 E a minha solidão.
 Me acalanta.
 Me cobre com uma pedra perfumada.
 Dentro de mim florescem jardins.
 Minhas flores são inventadas.
 As ruas me pertencem
 Mas não há casas nas ruas. 
 As casas foram destruídas desde a minha infância.
 Os seus habitantes vagueiam no espaço
 À procura de um lar.
 Instalam-se em minha alma.
 Eis porque sorrio 
 Quando mal brilha o meu sol.
 Ou choro 
 Como uma chuva leve
 Na noite. 
Houve tempo em que eu tinha duas cabeças.
 Houve tempo em que essas duas caras
 Se cobriam de um orvalho amoroso.
 Se fundiam como o perfume de uma rosa. 
 Hoje em dia me parece 
 Que até quando recuo
 Estou avançando
 Para uma alta portada
 Atrás da qual se estendem muralhas
 Onde dormem trovões extintos
 E relâmpagos partidos.
 Só é meu
 O mundo que trago
 dentro da alma.

 Marc Chagall

 Hoje, ame intensamente e Seja muito feliz.
Felicidades...

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