sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Razões...


Tenho razão de sentir saudade,
 tenho razão de te acusar.
 Houve um pacto implícito que rompeste
 e sem te despedires foste embora.
 Detonaste o pacto.
 Detonaste a vida geral, a comum aquiescência 
de viver e explorar os rumos de obscuridade
 sem prazo sem consulta sem provocação
 até o limite das folhas caídas na hora de cair.
 Antecipaste a hora. 
Teu ponteiro enlouqueceu, enlouquecendo nossas horas. Que poderias ter feito de mais grave
 do que o ato sem continuação, o ato em si,
 o ato que não ousamos nem sabemos ousar
 porque depois dele não há nada?
 Tenho razão para sentir saudade de ti,
 de nossa convivência em falas camaradas,
 simples apertar de mãos, nem isso,
 voz modulando sílabas conhecidas e banais
 que eram sempre certeza e segurança.
 Sim, tenho saudades.
 Sim, acuso-te porque fizeste 
o não previsto nas leis da amizade e da natureza
 nem nos deixaste sequer o direito 
de indagar porque o fizeste, 
porque te foste...

 Carlos Drummond de Andrade

 Hoje, ame intensamente e Seja muito feliz.
 Felicidades...

Nenhum comentário:

Postar um comentário