domingo, 15 de fevereiro de 2015

Ando assim...



Ando meio fatigado
 de procuras inúteis e sedes afetivas insaciáveis.
 Meu coração tá ferido de amar errado.
 Acho espantoso viver, acumular memórias, afetos.
 É preciso estar distraído
 e não esperando absolutamente nada.
 Não há nada a ser esperado.
 Nem desesperado.
 Tô exausto de construir e demolir fantasias. 
 Não quero me encantar com ninguém.
 Quem diria que viver ia dar nisso? 
 Mas sempre me pergunto por que, raios,
 a gente tem que partir. 
Voltar, depois, quase impossível.
 Loucura, eu penso,
 é sempre um extremo de lucidez.
 Um limite insuportável.
 Num deserto de almas também desertas,
 uma alma especial reconhece de imediato a outra.
 A gente se apertou um contra o outro. 
 A gente queria ficar apertado assim
 porque nos completávamos desse jeito,
 o corpo de um
 sendo a metade perdida
 do corpo do outro.

 Caio Fernando Abreu 

 Hoje, ame intensamente e Seja muito feliz.
 Felicidades...

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