quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Eles, para sempre...


Eles
 eram mais antigos que o silêncio
 A perscrutar-se intimamente os sonhos 
 Tal como duas súbitas estátuas
 Em que apenas o olhar restasse humano.
 Qualquer toque,
 por certo, desfaria
 Os seus corpos sem tempo em pura cinza.
 Remontavam às origens - a realidade
 Neles se fez, de substância, imagem.
 Dela a face era fria, a que o desejo
 Como um hictus, houvesse adormecido
 Dele apenas restava o eterno grito
 Da espécie - tudo mais tinha morrido.
 Caíam lentamente na voragem 
 Como duas estrelas que gravitam
 Juntas para, depois, num grande abraço 
 Rolarem pelo espaço e se perderem
 Transformadas no magma incandescente
 Que milênios mais tarde explode em amor
 E da matéria reproduz o tempo 
Nas galáxias da vida no infinito.
 Eles
 eram mais antigos que o silêncio...

 Vinicius de Moraes 

 Hoje, Ame intensamente e Seja muito feliz. 
Felicidades...

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