Compreensões...

sábado, 20 de outubro de 2012

Miragem.




Um espelho na parede,
 estranha e involuntária chegada,
 ao vulto que me persegue.
 Sou eu, que me olho,
 e me desconheço na nítida miragem,
 na cópia do tempo,
 na autenticidade da tela
 sem realces de photoshop.
 Volumes, ângulos sinuosos,
 manchas bolorentas, sobre a pintura original.
 Detenho-me nos pormenores, 
nos desalinhos, na falta de viço
 que cessa a razão.
 Sou obra prima erodida,
 sôfrega estalactite mirando Olimpo.
 Quero mergulhar nas lamas quentes,
 beber seiva amazônica,
 adormecer e acordar,
 à luz de um fogaréu,
 e no descanso do cinzel,
 tirar a máscara, ser supernova,
 ou apenas uma pedra,
 estilhaçando a ilusão.

 Helena Figueiredo

 Hoje, ame intensamente e seja muito feliz.

 Felicidades...

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